ACOMPANHANDO WRESTLING NO BRASIL DESDE OS ANOS 1980 (PARTE 2)

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Para ler a parte 1, clique aqui 

Se na TV brasileira os Gigantes do Ringue, em exibição na TV Gazeta pelas parabólicas para todo o Brasil, era a única opção, a internet parecia um bálsamo. No início de 2002, descobri um grupo no finado e-groups (que viraria Yahoogroups) sobre a WWF e wrestling em geral. Tinha um pessoal que morava nos Estados Unidos e ficava trocando fita com os brasileiros do grupo, além de publicar boletins informativos do que estava acontecendo semanalmente na WWF. Foi lá que descobri a compra da WCW pela WWF, conheci os termos “heel” e “face”, e que consegui, finalmente, poder reassistir de forma bacana os programas. Como um jovem voraz de 16 anos atrás da informação, entupi os manos de perguntas, e eles, pacientemente, me deram todas as respostas – fazendo um apanhado geral do que aconteceu de 1995 até 2002. Falaram da Hart Foundation, Montreal Screwjob, da morte do Owen, da aposentadoria forçada do Shawn Michaels, da ascensão do The Rock, de como o Stone Cold era um fenômeno desde sua vitória no King of the Ring 1996, etc, etc. Um desses usuários, chamado Leonardo, tinha uma porção de VHS com PPVs e programas semanais. Ele vendia as fitas por um preço que era razoavelmente em conta (algo entre 15 e 20 reais). Mas eu tinha um trunfo na manga: como eu era colecionador de episódios de seriados japoneses em VHS, ofereci algumas trocas. Eu mandaria Spectreman para ele, e ele me enviaria fitas com alguns PPV. Fechou todas e realizamos câmbios. Eu tenho as fitas com os PPV até hoje. São eles: Summerslam 1995, Wrestlemania 12, Wrestlemania 14, The Best of Bret Hart, In Your House 2, Badd Blood 1997. Nem preciso dizer que as fitas ficaram gastas de tanto que eu assisti esse troço. Até chegar a era do WinMX/KazAa.

hbk

Lembro que a primeira “luta” que eu fiz download foi um music vídeo com os melhores momentos de Triple H x Undertaker no Wrestlemania 17. O golpe final (Last Ride) que o Phenom aplicou no protótipo de cigano Igor com bomba foi magistral. Comecei a catar tudo que era possível da WWF. Uma das primeiras lutas que consegui baixar completas foi o Three Stages of Hell, com o Shawn Michaels enfrentando o Triple H. Mas como assim? O HBK não estava aposentado? E agora ele tava de cabelo curto e era campeão? Porra, só alegria. E alegria de pobre dura pouco – Triple H tirou o título do cristão naquela noite. Depois fui caçando os termos dos PPVs, para achar mais lutas. Foi assim até meados de 2004, com as lutas mais importantes sendo colocadas para download por boas almas da pirataria.

Em 2004 começou a era do Orkut, e as primeiras comunidades (no estilo das do e-groups). Lá começaram a pipocar vídeos rippados de VHS e DVD (que já começava, lentamente, a se popularizar). Muita gente fazendo review dos shows semanais, além de compartilhar vídeos no eMule (que demorava horas e horas para pegar conexão…). Na época, Chris Benoit era o grande nome do momento, tendo vencido o Royal Rumble e fazendo um espetacular main event com HHH e Shawn Michaels no Wrestlemania 20. Pena que virou o que virou depois.

Pouco tempo depois, o canal FX começou a passar os programas “menores” da WWE na TV fechada brasileira: WWE Velocity e Heat, que, convenhamos, eram uma bela merda. Para ver boas lutas, dependia-se, ainda, de downloads do Monday Night RAW e do Smackdown.

Paralelamente, da mesma forma que nos anos 1990, os jogos de videogame eram um bom modo de acompanhar as histórias, agora pelo Playstation 2 e os jogos RAW vs. Smackdown. Com storylines muitas vezes similares ao que acontecia na realidade, ficava fácil se atualizar das novidades entre mocinhos e vilões.

Em janeiro de 2008, o SBT voltou a exibir luta livre depois de um hiato de mais de 20 anos em sua programação. O programa estreou com toda pompa, mostrando cenas legendadas e a luta de Shawn Michaels contra John Cena no Wrestlemania 23 – muitas partes em preto e branco, devido ao banho de sangue, com Jarbas Duarte e Michel Serdan comandando o primeiro programa direto dos estúdios da WWE. Curiosidade bizarra: a ex-ajudante de palco do SBT, Marriete, foi apresentada como um destaque brasileiro na plateia do WM23. Ninguém entendeu porra alguma.

Os sábados à tarde pareciam um bom horário para o programa, até a censura encrencar e tirar do ar o RAW e o Smackdown, que eram exibidos em blocos de uma hora cada (ou seja, o RAW era mutilado). Era a época em que Jeff Hardy era a sensação da luta livre, e angariou um bom séquito de seguidores brasileiros.

lutador emo

Posteriormente, a exibição do RAW no Esporte Interativo, e por um curto período de tempo o Smackdown pela RedeTV!, sedimentaram o caminho para que o Fox Sports fechasse um contrato com a WWE para que todo o conteúdo disponível para TV (RAW, Smackdown, Main Event, NXT, Vintage) fosse exibido para o Brasil – sendo que os dois primeiros ao vivo. Para quem assistia o Supercatch todo domingo, em 1995, imaginar o Monday Night RAW ao vivo nas noites de segunda era um negócio um tanto impossível, mas agora é real.

Com a somatória das mídias sociais, plataformas de streaming e programas de TV, acompanhar a WWE hoje é tão simples que mesmo que você não queira acompanhar você acaba sabendo do que ocorre lá. Se antes tínhamos um acesso muito restrito ao conteúdo (em uma época que o Wrestling estava pegando fogo), hoje temos uma overdose na nossa cara, mas muitas vezes com um conteúdo chato e maçante. Não se pode ter tudo o que se quer, mas estamos vivendo uma era, ao menos na forma, de glórias totais. GLORIOUS!

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